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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Moinhos de Azeméis - Parque Temático Molinológico - Rotas e Passeios para descobrir



Onze moinhos, dois rios, três pontes, três pólos museológicos em 30 hectares de terreno. A tradição mostra a sua garra no Parque Temático Molinológico de Oliveira de Azeméis. O fumo que sai da chaminé é sinal de que há pão quentinho. O cheiro não engana: o pão de Ul está quase a sair do forno. 


Maria de Lurdes Resende é a padeira de serviço. Manuseia a longa pá de madeira como um instrumento que já não tem segredos e o pequeno moinho recuperado é apertado para tanta curiosidade. Os olhos dos visitantes não querem perder pitada das operações. Entram uns, saem outros, e a senhora Maria vai tentando conciliar os exercícios que faz há mais de 40 anos para que os mais novos percebam como tudo acontece. A tarefa é feita com um sorriso no rosto.

E como nasce o famoso pão de Ul, tão conhecido na região? "Não tem aditivos, só leva água, farinha, sal e fermento. O que lhe dá o ar tostadinho e o gosto diferente é cozer no lar do forno a lenha", explica a padeira. A um canto, está mais massa a repousar antes da próxima fornada. O Parque Temático Molinológico de Oliveira de Azeméis tem 11 moinhos recuperados com mais de dois séculos de história, moleiros a explicar o seu ofício ao vivo e com palavras de mestria consolidadas pela experiência, padeiras a amassar a farinha e a cozer pão num forno alimentado a lenha.

A Associação de Produtores do Pão de Ul, com 26 padeiras e padeiros inscritos, encontra no novo parque um palco à medida para dar a conhecer a sua actividade. Os fabricantes de pão regressam às origens, aos antigos moinhos, num encontro com a tradição.

O espaço abriu portas em Março para recordar todas as etapas de uma actividade que muito rendimento deu à região e que ainda vai tendo alguma expressão. A tradição pode ser seguida passo a passo por onze moinhos e três pólos museológicos em perto de 30 hectares. Pelo caminho, os rios Ul e Antuã encontram-se e há três pontes para atravessar. A entrada é livre. O branco caiado dos moinhos de água onde se moem os cereais e se faz o pão contrasta na verdejante paisagem. Uma placa indica o caminho e a descida íngreme faz o olhar andar, por momentos, numa montanha-russa virtual até que repousa no rio Ul que descansadamente faz o seu percurso. O sol está generoso e o branco ganha mais intensidade depois de se atravessar a ponte.

O verde intenso e as sombras das árvores também funcionam como um bom cartão de visita. É hora de pedir o folheto A3, que dá informações importantes sobre a organização do espaço e ajuda a planear o circuito. Nuno Pinho, de 11 anos, surpreendeu-se com o que viu. Não parou um segundo, ficou suado depois de uma visita que tinha sempre mais qualquer coisita para espreitar. "Pensava que os moinhos eram casinhas com velas e água", confessa. A ida ao parque mostroulhe que há muito para aprender. "O pão e a massa parecem diferentes dos que a minha avó faz", repara. A mó começa a girar e as atenções centram-se na geringonça que mói os cereais e produz farinha. O olhar de especialista do moleiro e padeiro Abílio Marques avisa que é preciso mais água, que significa mais pressão e força, mais cereal moído, farinha e pão. "Isto é fácil: é puxado a água e trabalha de baixo para cima", explica. A percepção é que tudo começa ao contrário, de cima para baixo, que o milho cai na mó e que dali a pouco aparece a farinha.

Mas os olhos não vêem o que se passa lá em baixo, no trabalho feito pela água do rio, onde tudo começa. "Os mais novos têm mais curiosidade do que os adultos", revela o moleiro. As perguntas encontram sempre uma explicação. Na sala ao lado há um placard que explica que o trigo, o milho e o centeio são cereais utilizados na moagem e na panificação. Jessica Silva, de 13 anos, ainda não tinha perdido muito tempo a pensar nas voltas que o pão tem de dar até chegar à boca. Não foi preciso muito tempo para perceber como tudo se encaixa.

"Foi interessante, gostei da caminhada que fizemos, dos moinhos, do rio e das cascatas pequenas", conta. Vítor Hugo, de 11 anos, come um pão de Ul. "Vimos uma flor que dava estalidos, era roxa, apertávamos na ponta e batíamos com ela na mão", descreve, com os olhos claros bem arregalados. Um outro edifício funciona como espaço de exposição permanente que desmonta vários utensílios associados à moagem, explica como funcionam as engrenagens e não esquece os intervenientes do processo. Os cabouqueiros que trabalham a madeira, as pedras para as mós e os carpinteiros de rodízios. 

Há exemplares antigos que contam a história. Como uma tarara, ou seja, o ventilador usado para a limpeza do arroz já descascado, bem como peças associadas ao trabalho de carpintaria como o maço e a pedra de mó. Mais artefactos do moleiro como a pá, a rela, o aguilhão, a picola e o picão. E também lá estão a peneira, o alqueire e a balança. Tudo isso no núcleo museológico da Ponte da Igreja. Há mais dois pólos para ver. O núcleo de Adães, tradicionalmente ligado ao descasque do arroz, mais o núcleo do Castro com sete moinhos que mantêm o aspecto rústico das construções. O interior foi recuperado e os equipamentos estão a funcionar.

Durante longos anos, os moinhos de água cumpriram a sua missão no descasque do arroz, uma actividade que foi perdendo o brilho de outrora mas que, de certa forma, ainda continua a animar a actividade económica da região. E nada, absolutamente nada, foi construído de raiz no parque molinológico. Nem mesmo o bar, com ar moderno, foi erguido com novo betão, mas antes surgiu da recuperação de um espigueiro.

Desde o início, e já lá vão quase nove anos, que a recuperação dos processos de secagem, moagem de cereais e fabrico do pão foi definida como a principal prioridade. E é na recepção do parque que a história é recordada através de fotografias que contam o processo desde a sua origem. "É um projecto que vai demorar anos", avisa António Afonso, o arquitecto autor do espaço. 

Tudo começou com a aquisição dos moinhos, embora alguns permaneçam nas mãos de privados, dos terrenos, até que as obras de remodelação arrancaram para dar uma nova vida aos velhinhos moinhos, que há muito acusavam abandono. Pelo meio, foram feitos levantamentos das estruturas de moagem e de secagem, acções de sensibilização e divulgação, edição de livros e realização de filmes. Os açudes que se encontravam furados e sem capacidade de armazenar água foram devidamente tratados. Os caminhos e pontes foram recuperados. E tudo começou a funcionar.

Informações de visita:

Horário de funcionamento
3ª a 6ª feira
10h às 12h30 e das 14h às 17h30
Sábado e Domingo
15h às 19h

Encerrado | 2ª feira e feriados

Horário das visitas
3ª e 5ª feira | Visitas para GRUPOS ESCOLARES
Mínimo 10 participantes e máximo 30 participantes
Visitas com marcação prévia
4ª e 6ª feira | Público em geral
Visitas com ou sem marcação a decorrer dentro do horário de funcionamento do Parque
Sábado e Domingo | Público em geral
Visitas com ou sem marcação, a decorrer nos seguintes horários:
15h30m | 16h30m | 17h30m
Ponto de encontro | RECEPÇÃO


Recomendações

O Parque Temático Molinológico é um espaço de visita enquadrado num ambiente natural. Assim, aconselha-se a todos os visitantes a utilização de roupa e calçado confortável para um melhor usufruto da experiência de visita a este Parque.

Para assistir à moagem de cereais bem como ao cozer do pão de Ul ao vivo, dever-se-á efectuar marcação da visita, solicitando a presença e confirmação destes recursos.

Contactos: NÚCLEO MUSEOLÓGICO DO MOINHO E DO PÃO
Telefone: 256 664 043
Web: http://www.moinhosdeazemeis.com
GPS » 40°48'52.51"N 8°29'48.77"W

Folheto de Visita PDF: Clique aqui para efectuar o download

Alojamento perto:

Hotel Dighton ****
Rua Dr. Albino dos Reis
3720-241 Oliveira de Azeméis
Tel. 256 682 191 Fax 256 682 248

Albergaria do Campo ****
Rua de S. Miguel, 12
Outeiro – S. Tiago de Riba-Ul
3720-514 Oliveira de Azeméis
Tel. 256 682 745

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