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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tembo Turismo Rural - Venha até África sem sair do Alentejo



Um lugar perdido na paisagem alentejana, rodeado de oliveiras e gigantescas pedras de granito, é o refúgio ideal para quem quer esquecer por momentos a cidade. Aqui não existe nada para além do silêncio, do brilho das estrelas e do conforto de uma casa decorada a rigor. O seu nome é Tembo e não fica longe da savana.

Às vezes apetece deixar para trás a cidade, adormecer ao luar e esquecer todas as rotinas. Mesmo que apenas por um fim-de-semana, é possível fazer as malas, entrar para o carro e, em menos de duas horas, encontrar um bocadinho de África. Confuso? Talvez. Parece impossível encontrar outro continente em Portugal, mas às vezes existem surpresas mesmo ao nosso lado, que passam facilmente despercebidas a espíritos menos atentos

Estamos em pleno Alentejo, a dois passos de Arraiolos, na estrada que liga as vilas do Vimieiro e Pavia e procuramos um lugar que se adivinha mágico ou, pelo menos, diferente. A velocidade é lenta, para não passar a indicação para o Monte do Barrocal; segue-se uma estrada de terra batida, difícil, como deve ser o caminho para todos os locais secretos; aqui não se vê vivalma, apenas dezenas de coelhos que, ao anoitecer, atravessam a estrada assustados. A sensação de ter chegado a outro mundo é inevitável.

Somos recebidos por uma planície a perder de vista, polvilhada por oliveiras centenárias e estranhas pedras de granito, muitas delas de tamanho extraordinário. Ao longe avista-se um telheiro e mais à frente uma construção ocre que se integra em perfeição na paisagem. Chegámos ao Tembo.

O Tembo Bed & Breakfast é sofisticado e glamouroso, mas também simples e rústico. Um forte sentido estético está presente em todos os detalhes da decoração, não nos podemos é esquecer de que estamos completamente isolados no meio do campo, num local de aparência tão selvagem que alguém já tentou criar aqui um verdadeiro parque africano, onde até chegou a viver um rinoceronte! Portanto, esqueça superficialidades da civilização como ar condicionado ou televisão (que até existe na sala comum, mas é pouco utilizada). Por aqui conforto quer antes dizer silêncio, um céu estrelado onde vivem estrelas cadentes, sonos tranquilos, a companhia de um bom livro, e até o luxo excêntrico de ter um jacuzzi no quarto...

É verdade, o Tembo só tem cinco alojamentos, mas todos eles possuem, à sua maneira, pequenos mimos inesperados e um estilo muito próprio. Comecemos, pois então, com a Suite, que se chama assim talvez por possuir uma área generosa, povoada por duas camas duplas, um grande terraço privativo e uma casa de banho de influência marroquina com uma banheira redonda muito convidativa. Elegância e sobriedade são imagem de marca deste quarto, ideal para alojar uma família. Mesmo ao lado, apenas separados por uma escadaria de acesso a um terraço para apreciar os astros, estão os quartos baptizados de Bali e Colonial. As inspirações utilizadas na decoração estão bem à vista, nas portas de madeira esculpida, nos candeeiros, nas paredes esponjadas, nos tecidos utilizados (de tons fortes em Bali e com motivos afro no Colonial, onde até nem falta um mosquiteiro), mas uma vez mais são as casas de banho que mais surpreendem: no primeiro, o duche esconde-se atrás de uma parede semicircular e está forrado a pedras azuladas, enquanto no segundo quarto as reminiscências de um hammam estão à vista de quem tem um mínimo de imaginação.

Cá fora, um telheiro providencial garante sombra para os dias mais quentes, redes para relaxar e uma mesa corrida onde é servido o lauto pequeno-almoço preparado por Tina: frutas de todas as variedades, cortadas a preceito, compotas, sumos naturais, o tradicional chá de erva cidreira, e uma grande folha de madeira onde são milimetricamente dispostos queijos e carnes frias para todos os gostos...

A sala comum e cozinha – de livre acesso a todos os hóspedes – estão logo ali, para ser utilizadas nos dias mais frios, porque as manhãs de Inverno não perdoam, mesmo no Alentejo. E para os mais friorentos também não falta uma salinha com lareira, romântica, para noites passadas a dois ou para ponto de encontro de animadas conversas entre amigos pela noite dentro.

Mais uns passos pelo pequeno jardim de pedrinhas que rodeia a casa e alcançamos um segundo edifício completamente independente. Chama-se Loft e é uma espécie de júnior suite de design contemporâneo, com uma cama queen size e uma charmosa banheira de pés dispostas num espaço aberto e repleto de detalhes requintados. Será talvez o quarto que mais faz lembrar os luxuosos lodges sul-africanos da actualidade. Completam o cenário o pavimento de madeira muito encerada, que contrasta com o nostálgico ladrilhado a preto e branco da área da casa de banho, o tapete a imitar a pele de uma zebra, as torneiras de época e as silhuetas de impalas nas ferragens.

Um mergulho na natureza

E, quando parece que já vimos tudo, chega mais uma surpresa. Subindo por um carreirinho de terra avista-se uma pequena casa em pedra e logo depois uma casa de madeira – são o chamado Duo, o último dos alojamentos do Tembo, com capacidade para quatro pessoas. Quem aqui fica é como se viesse viver para o campo, não tem direito a pequeno-almoço, mas, em contrapartida, ganha plenos poderes sobre uma cozinha e barbecue, com terraço, mesa e cadeiras que convidam a refeições demoradas, uma banheira e duche ao ar livre, um amplo relvado e – voilá! – uma pequena piscina privativa, cinematograficamente enquadrada por um conjunto de gigantescos pedregulhos de granito. O local é mágico e tem qualquer coisa de misterioso, sendo fácil perder-se a olhar o horizonte...

Por último, é impossível não mencionar a grande piscina biológica do Tembo. Fica ligeiramente mais abaixo, numa pequena encosta e parece ter estado ali desde sempre. Rodeado por grandes oliveiras, pelas já habituais pedras de formas místicas, e por sofás e espreguiçadeiras dispostos estrategicamente, este quase lago natural funciona como um elemento refrescante da paisagem nos dias de sol, convidando a mergulhos demorados na sua água – limpa e filtrada pelas próprias plantas no seu habitat natural. Quem vem da cidade, nem sempre aceita de braços abertos o conceito, mas a verdade é que não há melhor forma de abraçar a vida no campo do que mergulhar directamente na natureza.

Contactos:
Reservas pelo 96 688 38 42

Morada: Monte do Barrocal, Vimieiro. Tomando a direcção do Vimieiro (a 140 km de Lisboa), segue-se a estrada para Pavia, uma recta onde, ao chegar ao km 88, vira à esquerda no primeiro sinal.

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