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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Galerias Romanas Baixa de Lisboa Setembro 2013 - Entradas Grátis

Com entradas gratuítas e abertas ao público somente uma vez por ano as Galerias romanas da Rua da Prata permite que todos possam as visitar e saber mais sobre a Lisboa subterrânea.

A abertura volta a ocorrer este ano, uma vez mais no âmbito das Jornadas Europeias do Património - que, por Portugal, congregam cetenas de eventos e visitas a monumentos. As galerias poderão ser visitadas gratuitamente pelo público durante os três dias das Jornadas (de 20 a 22 de Setembro), das 10h às 18h (última entrada às 17h30).

Vale a pena ir prevenido para esperar na fila disposta pela rua da Conceição (a entrada faz-se por um alçapão nesta via, perto do n.º 77), particularmente no domingo, dia em que é habitual a espera se prolongar. Até porque, sublinhe-se, não há marcações.

A Descoberta

Em 1771 durante a reconstrução da cidade de Lisboa, na sequência do grande terramoto de 1755, surgiram pela primeira vez notícias da existência de um conjunto de Galerias Romanas no subsolo da Baixa, desenhadas em 1773 por Joaquim Ferreira. A incipiente noção de património de então levaria a que apenas um pedestal romano com a inscrição em latim dedicado a Esculápio (Deus da Medicina) fosse salvaguardado. O edifício romano, constatada a sua grande robustez, serviria de alicerce aos prédios pombalinos.

Em 1859, obras de saneamento permitiram, pela única vez, observar restos das construções romanas que se erguiam sobre as Galerias. Foi então feito o levantamento exaustivo das ruínas, um dos trabalhos arqueológicos pioneiros na cidade de Lisboa, pela mão de José Valentim de Freitas. Visitas esporádicas, com finalidades jornalísticas e de investigação, iniciaram-se em 1909, sendo à data o monumento conhecido por “Conservas de Água da Rua da Prata” por ter sido utilizado pela população como cisterna.

Abririam ao público com regularidade a partir dos anos 80 época em que foi possível à Câmara Municipal de Lisboa criar condições restritas de acessibilidade ao monumento.

A Função

A arquitectura e as técnicas de construção destas Galerias sugerem tratar-se de um monumento da época dos imperadores Júlio-Claúdios (primeira metade do séc. I d.C.), contemporâneos de outros edifícios públicos da cidade roamana de Olisipo.

Os últimos trabalhos arqueológicos do Museu da Cidade revelaram que as Galerias foram erguidas sobre uma espessa placa artificial de rija argamassa romana (opus caementicium – “antepassado remoto do betão”) colocada sobre a areia. A análise da arquitectura revelou a ocorrência nesta estrutura, ainda durante a época romana.

Estas galerias, desde a sua descoberta, têm sido alvo de diversas interpretações, de Termas a Fórum Municipal. Conhece-se hoje melhor a sua funcionalidade durante a época romana, seguramente ligada às actividades portuárias e comerciais. Propostas mais recentes indicam tratar-se de um «criptopórticos» - construções abobadadas empregues com alguma frequência pelos romanos em terrenos instáveis ou de topografia irregular para criar uma plataforma de suporte a outras edificações, normalmente públicas.

A inscrição dedicada ao Deus Esculápio, parece confirmar o carácter público do edifício.

O Que Se Pode Ver

Os colectores de esgoto da cidade, construídos desde o século XVIII, não permitem o acesso à totalidade do monumento, truncando uma área das galerias. A parte visitável é constituída por uma rede de galerias perpendiculares, de diferentes alturas, onde se destacam:
- Pequenos compartimentos (celas) dispostos lateralmente a algumas das galerias, que poderão ter sido utilizadas na época romana como áreas de armazenamento;
- Arcos em cuidada cantaria de pedra almofadada, técnica típica dos inícios da época imperial romana;
- “Galerias das Nascentes”, também chamada “Olhos de Água”, que ostenta a fractura, a partir da qual brota a água que invade todo o recinto.

Onde: Rua da Conceição (perto do nº77)
Como? Não se fazem marcações. Se houver grande adesão, pode encerrar antes das 18h
Mais info: 21 751 32 00

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